sábado, 19 de junio de 2010

CRÉDITO FISCAL DA TELEFÓNICA NA ADQUISIÇAO DA VIVO


Além das sinergias e do potencial de crescimento que a Telefónica obtém se comprar a Vivo, também no campo fiscal a operadora espanhola tem muito a ganhar em comprar a posição da PT na operadora brasileira.

De acordo com uma notícia de hoje do “Cinco Dias”, que cita estimativas do Citigroup, a Telefónica pode obter créditos fiscais de 1,8 mil milhões de euros caso consiga comprar a posição da PT no Brasil.

O jornal espanhol dá conta que a Telefónica reconhece que a compra da Vivo tem “potenciais vantagens fiscais”, mas nunca as quantificou, afirmando que tal é difícil nesta altura.

A PT tem defendido que a oferta de 6,5 mil milhões de euros pela sua posição na Vivo não reflecte o valor do activo para a Telefónica, citando os ganhos que a empresa espanhola obtém com esta operação, nomeadamente as sinergias, que a Telefónica quantifica em 2,8 mil milhões de euros, números “pouco ambiciosos”, segundo a PT.

Só com a aquisição da Vivo a Telefónica a empresa espanhola garante o primeiro benefício fiscal, já que o Brasil é um dos poucos países onde ainda é possível deduzir o valor da diferença entre o valor pago pela aquisição de um activo e o seu valor contabilístico.

A Telefónica pode ainda ganhar em termos fiscais se optar pela fusão entre a Vivo e a Telesp, a sua operadora de telecomunicações fixas no Brasil. Ainda recentemente a empresa espanhola pediu um crédito fiscal de 750 milhões de euros devido às operações de reestruturação nas suas empresas no México e Brasil.

A Telefónica tem acalmado as expectativas dos investidores quanto aos ganhos fiscais com esta operação com a Vivo, mas os bancos de investimento não pensam o mesmo. De acordo com as contas do Citigroup, citadas pelo “Cinco Dias”, os créditos fiscais podem atingir 1,8 mil milhões de euros.

É por isso que o Citigroup recomenda à Telefónica que faça a operação através de uma subsidiária brasileira e não a partir de Espanha. A compra da Vivo pode render 632 milhões de euros e a fusão com a Telesp o restante valor.

Mas antes a Telefónica tem que convencer os accionistas da PT a aceitarem a sua oferta, na assembleia geral de 30 de Junho.